domingo, 20 de outubro de 2013

Vangloriações,
egocentrismos,
possessividade,
calculismo:
Peculiaridades plasmadas
em faces aparentemente virtuosas.

Incertezas,
insegurança,
medrosidade excessiva 
em enfrentar situações:
normalidades impacientemente
inquietantes em faces comuns.

Há anoiteceres tão elucidativos
como a primeira gota de água,
anunciadora da intensidade de uma precipitação.

Há complexidades que se abeiram
de turbulências tão conexas 
a uma cobardia amargurantemente
desvaliosa...

E, depois, há percepções 
certeiras de que o ritmo avança
e que, indubitavelmente, 
o arco-íris trará ouro ao invés de cobre. 

Maria Vaz



sábado, 19 de outubro de 2013

Os pensamentos são
aquela exactidão inexacta
que a infinitude prorroga.
O temor de vivências.
A equação de possibilidades.
Um ir e voltar entre premissas,
tempos,
a tese e a antítese.
A busca de uma síntese que nunca se alcança.

Não serão eles meras nebulosidades
vagueantes,
de um sentir que tudo engloba,
tudo compreende,
tudo sabe?

Pensar em demasia é não saber.
É criar verdades que não existem.

De que nos vale equacionar
o infinito,
se existem forças muito fortes
que nos encaminham para determinada galáxia?

De que nos vale pensar
e achar que o pensamento é inovador,
quando, talvez, essa alteração de vontade
não passe de algo pré-determinado?

Pensar,
é característica comum de todo o ser 'racional'.
Pensamos por aparente necessidade,
por automatismo.
A maioria das vezes,
Pensamos que pensamos.
Tendemos a ser guiados pelo senso comum:
aquela realidade que nos foi socialmente incutida,
impregnada...
Ou fugimos dela para a ver além do que é,
vendo como gostaríamos que fosse.

Sentir,
é outro mundo.
É saber sem cair em dualismos.
É conseguir captar notas de uma essência
incompletamente cognoscível.
É uma capacidade rara,
que habita a alma de muito poucos.

Maria Vaz


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O que são as palavras
perto da viagem de um olhar?
O que são os dias
perto da eternidade essencial?

De que nos valem os pensamentos
quando podemos sentir ininterruptamente?
De que nos valem os sorrisos
se não há uma paixão na alma?

O que nos diz a natureza,
além do renascer dos dias, das estações, dos anos?
O que nos dizem as pessoas,
os conselhos ou os discursos vazios?

Não passaremos nós de uma mera peça de um puzzle?
Poderemos nós alterar o nosso fado?
Ou as estrelas marcam-nos
como nós marcamos os livros lidos?

Existirá a outra metade do 'andrógino' original?
Ou as metáforas nunca deixarão de ser isso mesmo - metáforas?!
Existirá o 'tal' amor incondicional?
Ou será que existe apenas o amor pela ideia do amor?

Sabemos tão pouco acerca do fundamental...

Maria Vaz



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Nunca vos aconteceu 'sofrer' inexplicavelmente por pequenas coisas, 'pequenas' pessoas ou minudências quotidianas, que nos dizem, infelizmente, muito mais do que aquilo que, logicamente, nos deveriam dizer?? Pois é, estas coisas conexas a análises impensadas e a percepção de sentimentos e motivações recalcados, nos outros, é uma treta (para não utilizar um vocabulário mais forte que, decerto, explicaria muito melhor a minha inquietação).
Acredito que quem leia possa não perceber. Certamente não seria incompreendida se todos de vós compreendessem aquilo que, inefavelmente, vos quero dizer.
Mas hoje (e espero que durante muito tempo), estou voltada para o desapego dessas 'coisas', dessas minudências, desses 'fardos' que, muito sinceramente, não devem ser para mim. Porque não me servem. Não me fazem sorrir. Não estimulam o melhor que está na origem daquilo que sou.
Pois é, não estou para me reduzir a pequenas coisas, pequenas pessoas, diminutos pensamentos ou sentimentos café com leite.
Esta coisa de ser como uma esponja e absorver tudo o que de bom e mau ocorre à minha volta tem os seus quês, os seus dramas. Mas hoje (e talvez amanhã), vou (tentar) desligar-me de análises e analogias. Vou deixar de olhar para os outros a tentar identificar padrões ou com o intuito de desmistificar o indesmistificável. Vou deixar-me ser surpreendida pela fenomenologia do meio. Vou (tentar) relativizar.
Eu sei que as pessoas são infelizes porque se apegam ao que não devem, dogmatizam ilusões, acreditam em inverosimilhanças alheias que se vislumbram na falta de intensidade do olhar de quem as profere. As pessoas 'sofrem' porque se agarram ao sofrimento, como se fossem ultra masoquistas. Eu, não estou para isso.
Enfim, hoje estou mais permeável a filosofias estóicas e orientais. Acredito que basta relativizar, desapegar, passear, sorrir. E, acreditem, isto é tudo uma questão de amor próprio.

Maria Vaz



sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Os dias
 são as partículas
artificialmente fragmentadas
de um absoluto eternizado
numa essência ontológica,
tendencialmente imutável.

O tempo
não é mais do que a ordem
de um caos que tudo contém
e que tudo ordena.
É a lei do ritmo em acção.

O espaço
é uma percepção dimensional.
Uma estratificação do todo.
Uma relativização do 'olhar'.

O ser humano
é tão infinito como o universo,
embora a pequenez egoística
o limite a um sistema,
a uma estrela de pequena dimensão.

Não é óbvio que vivemos numa ilusão?

A sabedoria
é o caminho
de uma verdade reveladora
que só ilumina os que ousam
transformar-se.

Maria Vaz






quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A chuva deleita a alma
como se nos fizesse
estremecer para uma nova vida...
Acorda-nos da ilusão
provocada pelo tempo,
que não para...
Traz-nos a inspiração
perdida,
dos dias em que o sol
atingira o zénite.
Traz mais poesia à vida!

Maria Vaz