sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A leveza de um sentimento
que, assim,
devagarinho
me trouxe contentamento.
Que despertou, em mim
o carinho
que afasta o mau pensamento.
A leveza,
sem data de ida,
de uma amizade para a vida.

By Mary

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

sábado, 24 de setembro de 2016

Às vezes penso
que os 'recados do universo'
(e talvez...
 o brilho dos teus olhos)
têm qualquer toque de magia.

By Mary

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Se o universo me presentear
com um amor definido e concreto
além deste, humanamente abstrato,
que em mim transborda,
que seja informal e verdadeiro,
mais companheiro de aventura existencial
do que a concretização de um mero estado formal.
E que as palavras bonitinhas sejam sinceras
e que venham acompanhadas de espontaneidade,
ou que não cheguem a existir,
só porque fica bem
ou tornariam as coisas mais fáceis,
porque tenho um sensor que distingue o conteúdo
dos vazios que o ego costuma ouvir.
A beleza tem que vir de dentro
e fazer os olhos transbordar de brilho
ou fazer um simples abraço valer o mundo.
Ou então que não venha.
Esta sensação abstrata é tão boa:
tem o sabor da liberdade,
da paz e do infinito.´

By Mary

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Se for para relativizar,
que seja para perdoar
quem sempre,
deliberadamente,
nos quis enganar.
Se for para relativizar,
que seja por algo evidente:
não apequenar
a vida
ao desejo doente
de quem quer ser amado
e reduzi-la
a projetar o malfadado
sob a égide de amar.
Se for para relativizar,
que seja para a amizade durar;
para não se acabar com a esperança,
os passos se tornarem dança
e a consciência descansar.
Se for para relativizar,
que seja para a luz perdurar.

By Mary

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Às vezes, acho que atraio histórias, de fundo emotivo, daqueles que, de alguma forma, cambalearam pelas emoções da vida. No fundo, acho que incentivo o fluir dessas conversas: espero sempre por finais felizes e histórias de amor. 
De vez em quando, lá as ouço enquanto rejubilo e fico com esperança no mundo. Outras vezes, fico presa a filosofias ante as descrições fáticas, atribuladas ou desprovidas de sentidos românticos. Numa destas noites, em que o calor dos dias não abandona os locais com a ida da claridade, ouvi a história de vida de um senhor. 
Aparentemente, queria contar-me a sua 'história de amor' ou, melhor, a forma como conheceu a sua esposa, mãe dos filhos, com quem constituiu família e, acima de tudo, companheira existencial nestas 'coisas da vida'. Não obstante o meu entusiasmo inicial (apreciável pelas minhas perguntas centradas, enquanto as velhas memórias do senhor o desencaminhavam de sentido), fiquei muito triste ao perceber que não era uma história de amor: era um conjunto de acasos, pressões familiares e circunstancialismos. 
Apreciei, sobretudo, a sinceridade com que o senhor admitiu que, à primeira impressão, nem achou a esposa bonita ou encantadora de alguma forma que supere o mundo das aparências: resolveu, depois, por acaso ou falta de opção, enviar-lhe uma carta que fora correspondida. Mantiveram a conversa e resolveu casar com ela com base nas pressões referidas. Disse que, para a altura, já casou tarde. 
Na verdade, vi nele mais entusiasmo enquanto me contava acerca das aventuras que viveu em viagens pelo centro da Europa, enfatizando os pormenores de, dentre as quais ressaltava uma noite de aventura dormida na rua, em uma praça de Amesterdão, do que na forma como resolveu casar. Havia, notoriamente, falta de paixão e de afinidade anímica. O resto da história ficou por ali. E eu fiquei introvertidamente reflexiva: não havia mais conteúdo, além de mecanicidades humanas em nome do 'dever ser'. Confesso que, nesse dia, fui dormir desiludida. Acho que percebi que o amor, em que acredito, talvez seja uma flor rara. 
Para complementar, passados uns dias, enquanto passeava pela rua, encontrei outro senhor, velho conhecido. Perguntou-me se tinha namorado e aproveitou o sentido da conversa para me falar de velhos amores, de paixões antigas, enquanto o ouvia atenciosamente, não fosse aquilo tirar-me o pessimismo da conversa anterior. 
Não obstante, acabei por perceber que, muito embora o problema fosse diferente (o senhor parecia ter tido um passado de excessos de paixões, tão profundas que ainda ressoavam na forma como proferia os nomes ou aludia a aspetos desse passado longínquo), percebi como o orgulho ou o ego o impediram de ser feliz com a mulher que realmente amava, com quem não casou e que, devido a outros pormenores, nunca mais viu. Confesso que dava para perceber na entoação a saudade ou qualquer coisa de arrependimento. Fiquei com a sensação de que é uma dessas pessoas que segue sempre em frente e, não querendo olhar para trás, casou com alguém de quem embora goste (pela construção das pequenas coisas do quotidiano), nunca amou daquela forma em que o olhar brilha. 
Quanto a mim, fiquei novamente reflexiva. Perdi-me em filosofias: lá recaí na minha ideia de que o amor é livre e espontâneo, que não se artificializa. E, no meio de tantas racionalidades, que levam a infelicidades (constantes nos olhares de quem conta estas histórias), a conclusão, para mim é simples: 'follow your heart'. Always. Love is more than desire.  

By Mary